Patrono

Roberto Serantoni, Pai do instrutor Melão e inspiração para o nome da escola.

 

 

História do Corsário Surcouf

 

Durante sua lendária carreira, capturou 47 navios e era famoso por sua galanteria e cavalheirismo, chegando a receber o apelido de “Roi dês Corsaires”.

Nasceu em Dezembro de 1773 em Saint-Malo, cidade na Bretanha e tradicionalmente um lugar seguro para piratas e corsários. Freqüentou uma escola religiosa de Jesuítas. Aos 13 anos, escapou dos professores dele e roubou uma pequena embarcação para provar sua habilidade para velejar. Teve azar, foi atingido por uma tempestade e teve que ser salvo.

Aos 15 anos se alistou num navio mercante que ia para a Índia. Entre 1789 e 1791, participou em tráfico de escravos entre Moçambique e Madagascar. Em 1792 voltou à Saint-Malo e descobriu as mudanças políticas que a França tinha sofrido após a revolução francesa.

Velejou para Isle de France (atualmente Ilhas Maurício) num brigue comercial e, quando lá chegou, foi informado da eclosão da guerra contra  a Inglaterra. Isle de France foi ameaçada por dois navios de guerra (um armado de 54 canhões e outro de 60) comandados pelo Comodoro Osborn. Surcouf foi eleito para ser o segundo oficial da fragata Cybèle que, com outra fragata e um brigue e com menos da metade de potência de fogo dos inimigos, repeliu os atacantes. Surcouf transformou-se num dos heróis do dia. Ele foi elevado a capitão, decidiu empreender uma guerra de corso contra a Inglaterra. Porém era difícil de obter uma “carte de marque” (carta de corso).

No dia 33 de Junho de 1794 Surcouf velejou com o navio La Créole (4 canhões e 30 homens), com ordens de trazer arroz para Isle de France, e encontrou três navios ingleses escoltados pelo Triton (de 26 canhões); ele usou uma artimanha para se defender, não mostrou seu pavilhãoaté que os navios ingleses lhe deram um tiro de advertência (uma convenção naval do tempo), o que Surcouf, depois, informou considerar uma agressão, Depois de um rápido combate, os navios britânicos abaixaram a bandeira e foram trazidos para Isle de France, com a carga. A Surcouf foram dadas as boas-vindas como o salvador do Porto. A captura foi declarada legal, mas na ausência de uma carta de marca, as autoridades retiveram a carga inteira (da qual uma parte iria para o corsário).

Após desentendimentos com o governador de Isle de France, Surcouf velejou para a França para receber sua carta de corso. Ele retornou ao mar em Nantes em agosto de 1798, como capitão da Clarisse, (18 canhões e 105 tripulantes).

Capturou quatro navios no Atlântico Sul e dois outros que se aproximaram a Sumatra em fevereiro de 1799.

A 11 de novembro, a embarcação de 20 canhões Auspicious foi capturada, com uma carga avaliada em mais de um milhão de francos. Antes de retornar a Isle de France, ainda capturou um brigue britânico e um mercante americano.

Em maio de 1800, Surcouf recebeu o comando da La Confiance, uma rápida fragata de Bordeaux com 18 cahões.

Conduziu uma campanha brilhante que resultou na captura de nove navios britânicos. Na Baía de Bengala, o La confiance atacou e venceu o Kent, de 38 canhões e 1200 toneladas, com 400 homens de equipagem e uma companhia de fuzileiros. Com isto tornou-se uma lenda viva na França e na Inglaterra, um inimigo público cuja captura foi avaliada em 5 francos de milhões, embora ele fosse notável pela disciplina da tripulação e com o tratamento humanitário aos prisioneiros. Em 13 de abril de 1801, perseguido por navios de guerra britânicos, chegou em La Rochelle. Retornou a Saint-Malo, casou-se, e lá permaneceu como homen de negócios. Em 1803, o Cônsul Napoleão Bonaparte lhe ofereceu pessoalmente o título de capitão e o comando de um esquadrão de fragatas no Oceano Índico. Porém, Surcouf recusou, por duas razões: primeiro, não lhe teriam permitido operar tão independentemente quanto desejava; e segundo, ele acreditou que a guerra contra a Inglaterra deveria ser empreendida com meios econômicos (i.e. atacando sua marinha mercante) no lugar de uma agressão naval. Os argumentos dele não caíram em orelhas surdas; em 1805, Napoleão optou por um bloqueio contra a Inglaterra em lugar de confrontação direta, e permitiu que corsários operassem (com impunidade relativa). Surcouf foi feito oficial da Legião de Honra em 1804 e, no mesmo ano equipou 14 corsários no Oceano Índico (entre eles o irmão Nicolas Surcouf e o primo Joseph Potier). Sorcouf voltou ao mar em um navoi de três mastros especialmente construído, o Revenant (de 20 canhões). O Revenant foi construído sob diretivas especiais pelo próprio Sorcouf. Chegou a Isle de France em junho, derrotando o bloqueio britânico e capturando vários navios durante a viajem. Durante a campanha subseqüente capturou 16 navios britânicos. Ficou na ilha e capturou muitos outros navios em duas outras campanhas.

Depois da guerra, ele voltou a Saint-Malo, rico e com o título de Barão, e se tornou um negociante dono de navios, estabelecendo negócios com a Terra Nova, o Caribe, África e o Oceano Índico.

Robert Surcouf morreu no dia 8 de julho de 1827.